Instantes

 

Passei por um parque de diversões em uma cidade praiana.

Era um parque antigo, daqueles que o tempo já tocou com suavidade —tintas um pouco desbotadas, estruturas que guardam histórias… mas ainda vivo.

E, mesmo assim, ainda pulsava alegria.

As crianças corriam, riam alto, se encantavam com tão pouco — como se ali existisse um mundo inteiro, simples e suficiente.

Havia algo de bonito nisso.

Porque, enquanto eu observava, percebia que não era só sobre o parque. 

Era sobre o que ele despertava.

Lembranças de um tempo mais leve, onde a felicidade cabia em pequenos instantes, onde o sentir era inteiro, sem pressa, sem medida.

Uma saudade suave… não exatamente do lugar, mas da forma de sentir.

Talvez a gente não perca isso completamente.

Talvez essas partes mais puras de nós apenas fiquem adormecidas, esperando um momento — um cenário, um cheiro, um som — para reaparecer.

E, por alguns segundos, ali… diante daquele parque antigo, eu senti de novo.

Como se algo dentro de mim ainda soubesse exatamente o caminho.

Com carinho,

Maria Cristina

Correspondência da Casa de Dentro # 4

Nem todo cansaço é físico: um olhar gentil sobre a saúde emocional

Tem dias em que o corpo até responde, mas algo dentro de nós parece não acompanhar.

Acordamos, cumprimos tarefas, seguimos o ritmo… mas existe um cansaço mais silencioso, difícil de explicar.
Não é exatamente sono. Não é apenas falta de descanso.

É emocional.

A saúde emocional não aparece em exames,
mas se revela nos pequenos sinais do cotidiano:
na irritação que chega sem aviso,
no desânimo que se prolonga,
na vontade de se recolher do mundo.

Cuidar da saúde emocional não significa estar bem o tempo todo.
Significa aprender a se escutar com mais honestidade e menos julgamento.

É perceber quando algo não está bem — e, ao invés de se cobrar, se acolher.

Às vezes, o que nós precisamos não é de mais força… mas de mais gentileza consigo mesma.

Um pouco de pausa.
Um pouco de silêncio.
Um pouco de cuidado que não precisa ser perfeito — só verdadeiro.

Porque, no fim, cuidar de dentro também é uma forma de seguir.

E seguir, com mais leveza, já é um grande começo.

Com carinho,

Maria Cristina