Hoje, enquanto caminhava pela praia, presenciei uma cena que me fez refletir.
Um jovem seguia pela calçada em sua bicicleta. Pedalava cada vez mais rápido, sorrindo com a alegria de quem simplesmente aproveita o vento no rosto. Havia um entusiasmo bonito em seu jeito de seguir em frente.
Na cestinha presa à bicicleta estavam dois vasos de flores. Ou, talvez, o que restava deles.
Com o balanço da bicicleta, os vasos quase caíam. Aos poucos, as pétalas iam se desprendendo e desenhando um delicado rastro colorido pelo caminho. O rapaz, porém, não percebia. Continuava pedalando, olhando apenas para a frente, feliz com o instante que vivia. Fiquei observando até que ele desapareceu ao longe.
Penso que a vida também é assim.
Enquanto seguimos em direção ao que desejamos, alguma coisa sempre fica pelo caminho. São sonhos que mudam de forma, fases que terminam, pessoas que seguem outros rumos ou versões de nós mesmos que já cumpriram o seu tempo.
Nem sempre percebemos essas pequenas despedidas. E talvez nem precisemos percebê-las no exato momento em que acontecem. As pétalas não voltaram para os vasos, mas, por alguns instantes, transformaram o caminho em um jardim. Talvez seja esse o destino de algumas coisas em nossa vida: não permanecer conosco para sempre, mas deixar beleza suficiente para que a caminhada faça ainda mais sentido.
Com carinho,
Maria Cristina
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